Ausência não é negativa: epistemologia para tempos de checagem apressada

  POR DANILO MENESES   O desconhecido governa mais do que admitimos. Como diria Nassim Nicholas Taleb, “os cisnes negros não pedem licença”. Karl Popper completaria: ciência que não se deixa atacar não merece crédito.   No entanto, em épocas atuais, floresceu um monopólio da razão de gabinete — a versão pós-moderna do racionalismo tardio […]

O Brasil profundo: da autopoiese política ao submundo das verdades patrocinadas

POR DANILO MENESES   A engrenagem política e jurídica brasileira é tão eficiente em se reproduzir que daria inveja a aos criadores da teoria da autopoiese. Enquanto isso, o cidadão aplaude o teatro da transparência sem perceber que o roteiro foi escrito com verba publicitária.   Para melhor compreensão do tema, vamos começar do início. […]

Modernidade gasosa: quando o Estado tenta segurar o vapor com a mão

Bauman descreveu a “modernidade líquida”: formas sociais que perdem solidez, relações humanas que escorrem pelos dedos, instituições que se desfazem na mudança. Se ele ainda estivesse entre nós, arrisco que escreveria sobre a “modernidade gasosa”.   O sociólogo polonês, já na modernidade líquida, dizia que não mais perguntamos “o que deve ser feito?”, mas “quem […]

O argumento que dança conforme a música: poliafetividade e o juiz de consciência limpa

POR DANILO MENESES   Imagine a cena: no auditório, um filósofo do direito pergunta se você é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Braços ao alto, consenso iluminista. Fundamento? “Autonomia, professor. Ninguém é lesado.”   Cinco minutos depois, o mesmo professor muda a letra: e a união poliafetiva consentida? Os braços caem. […]

O ativismo judicial e a sedução (ir)resistível dos cantos da sereia

POR DANILO MENESES   No mito, o marinheiro se perde ouvindo vozes belas demais para serem ignoradas. No Direito, o risco é um pouco parecido: magistrados enfeitiçados pelos sons da própria consciência. As sereias trocam o canto por princípios, e o naufrágio, por criatividade.   Há quem acredite que o ativismo judicial seja o antídoto […]

Presunção de inocência: entre o estado jurídico e o fetiche garantista

POR DANILO MENESES A Constituição diz que ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado. O que ela não disse é que o processo viraria estacionamento em vaga cativa até o último embargo do último recurso que não toca em fatos. O resultado é curioso: chamamos de “garantismo” o que, muitas vezes, é só […]